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No topo do Copan: saiba como ver São Paulo do alto do ícone arquitetônico

Laise Guedes
O terraço do Copan é aberto para visitas gratuitas e proporciona uma vista panorâmica da cidade e de outros prédios históricos. Imagem: Laise Guedes

Laise Guedes

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/05/2018 04h00

O edifício Copan, localizado no número 200 da Avenida Ipiranga, é um dos cartões postais mais simbólicos e conhecidos de São Paulo. Até quem nunca visitou o prédio consegue identificar de longe suas elegantes curvas que contrastam com as linhas retas da cidade.

O gosto pelas curvas, aliás, é marca registrada de seu arquiteto, Oscar Niemeyer que presenteou São Paulo com uma grandiosa obra de arte: o Copan tem a maior estrutura de concreto armado de prédio residencial do país, com nada menos que 115 metros de altura, divididos em 35 andares e 120 mil m² de área construída. Seus 1.160 apartamentos, que vão de estreitas quitinetes a três dormitórios, se dividem em 6 blocos independentes entre si e abrigam cerca de 5 mil moradores. Na galeria no térreo se encontram 72 lojas, de restaurantes e cafés a lavanderias, salões de beleza e até mesmo uma igreja. Este gigante tem dimensões tão impressionantes que chega a contar até com um CEP próprio.

Se a fachada do Copan já impressiona vista da calçada da rua, que tal subir até o topo do prédio e apreciar a cidade lá de cima? Sim, é possível visitar a cobertura do edifício com uma das melhores vistas de São Paulo sem pagar nada por isso.

Visita à cobertura do Copan

As visitas são realizadas durante a semana e acompanhadas por um bombeiro do prédio, que leva os visitantes de elevador até o 32º andar, em apenas 40 segundos. Chegando ali, é só subir alguns lances de escadas até à cobertura, onde se descobre que a vista panorâmica da cidade cinzenta não é assim tão monocromática como se pensa: além da costumeira camada de poluição e do mar de prédios, como o Edifício Itália e o antigo Hotel Hilton, dá para avistar praças, jardins verticais, avenidas arborizadas e até mesmo coloridos murais grafitados do Baixo Augusta e da Consolação.

O prédio costuma receber, em sua maioria, estudantes e turistas brasileiros e estrangeiros. De férias no Brasil, a designer Ayako Ishiyama, que vive em Tóquio, no Japão, se declara uma entusiasta do arquiteto e em passagem rápida por São Paulo, fez questão de conhecer o Copan de perto: "Eu adoro o Niemeyer e foi maravilhoso poder ver toda a extensão da cidade. A visão da cidade daqui de cima é incrível." Ayako estava acompanhada da professora aposentada Maria Hangai, que recomenda a visita ao Copan, com algumas restrições. "O Copan é uma herança que a gente precisa cuidar muito bem. Uma pena uma obra com fama internacional esteja toda envelopada e com as obras paradas. Aqui no Brasil são raras as pessoas que valorizam e cuidam dos patrimônios", comenta Hangai, que já trabalhou como voluntária em restauração e montagens de exposições.

Laise Guedes
As turistas Maria Massae Hangai e Ayako Ishiyama em visita para conferir de perto uma das principais obras de Oscar Niemeyer e a vista panorâmica da cidade. Imagem: Laise Guedes

A fama do prédio é tão grande que um apartamento localizado no topo, com vista privilegiada, foi totalmente reformado e revitalizado com materiais originais e hoje tem sua locação disputada por gente do mundo inteiro. Disponibilizado em uma plataforma de hospedagem compartilhada, o apartamento é simples, com apenas 28 m², uma cama de casal, uma estante de livros, criados-mudos e uma janela de vidro com uma vista impressionante da cidade.

Se o seu interesse é apenas conhecer o topo do Copan gratuitamente, as visitas acontecem de segunda a sexta em dois horários, às 10h30 e 15h30 e basta se dirigir ao bloco F, 15 minutos antes. Grupos grandes devem realizar o agendamento com antecedência com o síndico do prédio por telefone. O serviço não acontece nos feriados e está sujeito a cancelamento em casos de mau tempo.

Com duração de 15 a 20 minutos, as breves visitas acabam revelando um dos melhores mirantes da cidade.

Uma viagem ao centro de São Paulo

Passear pelo Copan é viajar para a São Paulo dos anos 1960, quando a economia paulistana crescia em um ritmo acelerado e a capital ganhou status de metrópole. São desse mesmo período os Edifícios Itália e Viadutos, obras que ajudaram a tornar o Centro de São Paulo um dos lugares mais modernos e agradáveis da cidade na época.

O projeto do Copan foi encomendado em 1951 pela prefeitura de São Paulo em comemoração aos 400 anos da cidade, que aconteceria três anos depois. Inspirado no Rockfeller Center de Nova York, acabou sofrendo diversas alterações em seus planos originais e a inauguração aconteceu anos mais tarde, apenas em 1966. Somente a parte externa é creditada a Oscar Niemeyer, já que a planta interior foi alterada.

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Desde os anos 80, o prédio é administrado por seus moradores, responsáveis por sua revitalização e, a pedido do próprio arquiteto, foi finalmente tombado em 2012. No seu aniversário de 50 anos, em 2016, o Copan ganhou uma plástica em sua fachada, que foi coberta por uma proteção que revestiu seus 35 andares, à espera da troca de suas pastilhas importadas e blocos de concreto.

De presente de aniversário atrasado dos 400 anos da cidade a um dos maiores legados de Oscar Niemeyer a São Paulo, o Copan é um dessas memórias da cidade que vão ficar para sempre no imaginário dos paulistanos.

Vai lá:

Visita à cobertura do Copan
Quando: Segunda a Sexta, às 10h30 e 15h30, exceto feriados (chegar com 15 minutos de antecedência)
Onde: Bloco F, sobreloja - Avenida Ipiranga, 200, Centro - São Paulo
Quanto: Grátis
Telefone: (11) 3259-5917

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