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Björk como você nunca viu: virtual, íntima e vulnerável

Andrew Thomas Huang/Divulgação
Imagem: Andrew Thomas Huang/Divulgação

Marcel Nadale

Colaboração para o Urban Taste, em São Paulo

2019-06-17T17:39:30

17/06/2019 17h39

Após mais de três décadas explorando sua musicalidade excêntrica e sua teatralidade visual, a cantora islandesa Björk só não se tornou uma caricatura de si mesma porque sempre manteve um firme controle de sua própria narrativa - tanto pessoal quanto artística. Essa história agora continua nas experimentações tecnológicas de Björk Digital, exposição de realidade virtual que chega ao Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, nesta terça, 18 de junho.

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Composta por quatro salas, sendo duas com óculos individuais de realidade virtual, a mostra é uma extensão audiovisual de seu penúltimo álbum, Vulnicura. Este foi também seu álbum mais pessoal, escrito logo após a dolorosa separação do artista plástico Matthew Barney. Suas faixas traçam, cronologicamente, seu processo de dor e cura. Seis dessas canções inspiram os ambientes de Björk Digital, e por isso mesmo, devem ser experimentadas na mesma ordem do disco. É Björk novamente dominando sua própria história - e te convidando para ver, de perto, um coração partido. Não por acaso, alegorias de destruição e reconstituição são recorrentes.

Quem acompanha a carreira da cantora consegue entender perfeitamente sua inevitável atração pela ideia de criar clipes em realidade virtual. As possibilidades infinitas da tecnologia sempre seduziram sua criatividade voraz. Mas a plataforma é que, na verdade, serve ao propósito narrativo, e não ao contrário: Vulnicura é uma obra intimista, e a realidade virtual permite que cada pessoa possa experimentá-la da sua própria maneira, numa proximidade com a cantora como jamais se viu. É Björk, ali, abrindo suas feridas, a meros centímetros de você. Ou, pelo menos, um avatar extremamente estiloso dela.

Bits, bytes, bjorks

Divulgação
Imagem: Divulgação

As salas oferecem uma progressão suave para quem nunca experimentou realidade virtual. A primeira, baseada na música "Stonemilker", resume-se à artista performando ao redor do visitante, "multiplicando-se" conforme canta seu desejo por "sincronizar nossos sentimentos". O cenário natural da fria Islândia ajuda a reforçar sua desolação. "Me mostre um pouco de respeito emocional", ela implora.

"Black Lake", a sala/música seguinte, replica o clipe dirigido pelo artista Andrew Thomas Huang nas paredes de uma imensa caverna. Se você olhar para os lados, perceberá que nem sempre as duas versões do clipe oferecem as mesmas imagens - mas talvez perca de vista, à frente ou atrás, a metafórica "luz no fim do túnel".

Viagens ou vertigens?

Andrew Thomas Huang/Divulgação
Imagem: Andrew Thomas Huang/Divulgação

Em seguida, duas canções exibidas consecutivamente exigirão firmeza e abstração do visitante. "Quicksand" desfaz Björk em poeira cósmica, nebulosas e radiações. Flutuando no espaço, pela primeira vez você não terá um "chão virtual" para se orientar. Se o infinito do vácuo parecer amedrontador, prepare-se para o inverso em "Mouth Mantra", quando você será reduzido minusculamente e inserido na boca da cantora, em distorções orgânicas capazes de causar pesadelos - ou alguma claustrofobia. (Uma experiência mais íntima de Bjork do que entrar na própria Bjork? Impossível)

A aventura se encerra com uma vivência ainda mais avançada. Para as simulações de "Family" e "Notget", você fica de pé, com um pouco mais de liberdade de movimento e manoplas que replicam suas mãos na realidade virtual. Em ambientes quase alienígenas, dois novos avatares bjorkianos finalmente dançam. "Se me arrependo de nós, impeço minha alma de crescer. Não remova minha dor: é minha chance de me curar", conclui na letra.

Dicas para marinheiros de primeira viagem (virtual)

Andrew Thomas Huang/Divulgação
Imagem: Andrew Thomas Huang/Divulgação

  • Como são utilizados óculos de realidade virtual e fones de ouvido grandes, rentes à cabeça, evite ir à exposição utilizando chapéus, bonés, tiaras ou brincos volumosos. Se você usa óculos, limpe bem lentes antes de sair de casa.
  • Não é permitido fotografar ou filmar nenhuma parte da exposição.
  • Pouco antes de colocar o aparelho de VR, identifique onde fica o botão de volume (na lateral direita do visor, quase na extremidade) e o botão de foco (uma "roda" no alto do visor, bem ao centro). Assim, vai ser mais fácil ajustar quando a brincadeira começar.
  • Os bancos para as primeiras três salas são bem altos - e você tem que permanecer sentado (mas pode girar 360 graus). Pessoas mais baixas podem se sentir desconfortáveis. E quem tem labirintite talvez tenha que repensar o passeio: minha saúde é tranquila e mesmo assim tive alguns momentos de tontura leve.
  • E duas regras tradicionais do MIS: bolsas precisam ser deixados no guarda-volumes, no térreo; e não há banheiros nos dois andares da mostra. Uma vez que você tenha progredido para o nível seguinte, não pode retornar.

Vai lá:

Björk Digital - Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo
De 18 de junho a 18 de agosto
Terça a sábado, das 10h às 20h
Domingos e feriados, das 10h às 19h
Permanência até duas horas após a última entrada
R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira); gratuito às terças-feiras
Classificação indicativa: 14 anos

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